Lá
fora cá dentro
Jardins coloridos pela primavera,
o rio Tejo banhado pelo sol, transbordando de alegria. De novo, o vai e vem,
dos aviões no céu, dos navios no rio, dos carros e autocarros que passam nas
ruas e avenidas cheios de gente, que vão para o trabalho.
As esplanadas cheias de
estrangeiros que vieram lá de fora e voltaram para se deliciar estão sentados
em grupos, bebendo vinho português e comendo pastéis de nata.
E das minhas águas furtadas,
olhando lá para fora oiço os miúdos correndo pelas escadas… já não estamos cá
dentro. Voltámos lá para fora!
Volto a olhar pelas minhas
águas furtadas e vejo o Sr. Joaquim na conversa com o Sr. Augusto, bombeiro
reformado e cheio de histórias, que repetidamente conta a todos os vizinhos com
muito orgulho!
Oiço ao fundo da rua a
peixeira que vem com a sua carrinha apetrechada e bem equipada para conservar
os peixes. O Sr. João do talho, à porta sorri afastando-se para os clientes
entrar.
Olhei para o computador em
cima da minha secretária e fechei-o. Já nada me prende. Posso ir lá para fora!
Nada se compara ao estar lá fora e conhecer, falar, rir, cumprimentar,
encontrar os vizinhos, abraçar os amigos e entrar nas lojas para comprar tudo
aquilo que precisamos.
Que emoção! Voltei lá para
fora cá dentro!